Archive for November, 2006

Sentimentos não se explicam
November 21, 2006

 

As palavras saem bagunçadas, eu bem sei. Quanto mais coerente tento ser, menos articulado tudo fica. Bem que você disse que sentimentos não se explicam…

Coerência
Falo
Mão nos cabelos
Penso
Mãos nos olhos
Saiu tudo errado
Eu falo de novo
e continua saindo tudo errado.

Melhor seria ter ficado quieta.

E você insiste que sentimentos não se explicam.


November 21, 2006

Tu és triste, eu sei. Não precisas inventar mil estórias, de músicas e danças e água e lambança, teu rosto é triste, eu bem sei.
Teus olhos não enganam, és triste… e eu sei. Enquanto tentas sorrir com os dentes, com lábios carentes, teus olhos refletem dor e desprezo, cólera de ti mesmo. Não me enganam…são [...]

Colorido
November 1, 2006

 
por maior que seja a indiferença, sempre terá o colorido.
*
a gente
sempre pensa
que o morno pode ser bom.
*
a gente
sempre concluí
que o de menos
é sempre o que flui.
*
Mas eu escolhi que as cores que vi
tornassem o que era
tudo de ruim
em outro assim
tornassem em mim
tudo de gelado
que fosse embora
quem sabe outrora
e a indiferença
que já de nascença
assolava [...]

Pingos de chuva
November 1, 2006

 
Publicado no Jornal Vítreo FACAMP 2006.
Publish on Vítreo Newspaper FACAMP 2006 

Tem dias em que a gente sente uma coisa diferente dentro da gente.Costuma ser naqueles dias nada importantes, ociosos, como uma terça, ou quarta, sem compromissos, sem convites, sem telefonemas, apenas a rotina.É um daqueles dias em que o céu pendura nuvens escuras e grandes e [...]

Realização
November 1, 2006

 
“Porque na verdade, tudo isso não vale a pena.”Era um dia desses, qualquer, uma quarta ou quinta feira ociosa de Maio, quando as folhas estão naquele ponto onde se assemelham com o fogo e tudo parece vivo como chamas a impestiar os frondosos galhos que dia a dia se tornam mais aparentes a cada folha [...]

Dona Morte
November 1, 2006

Não sei se vocês já se deram conta, mas sempre tem aquela mulher, num hospital, geralmente com seus 55 anos a dizer aquela frase:
- saúde é tudo na gente, né.

Olha pra gente com aqueles olhos tristes, sorriso estampado, mãos cruzadas em cima do colo, geralmente segurando uma bolsa de couro preto que está transpassada pelo [...]

Amadeus
November 1, 2006

Nuvens fofas me apóiam.
Sabe-se lá como parei aqui.
O chão não existe, apenas um infinito azul anil e nuvens.
Com a mão estendida, provo uma delas. Doce. Açúcar. Mel.
O adocicado sabor me faz lembrar daquele beijo.

Amadeus sempre fora o cara certo pra mim, eu é que não via.
Quando ele tomou posição e sem avisar me enlaçou em [...]

Ode à mulher desvalorizada
November 1, 2006

Acaso não me queres?
Eu sei que sim, não adianta esconder.
Porque então me rejeita?
É o meu cabelo? Não sou loira o suficiente para você?
É a minha pele? Não sou bronzeada o suficiente para você?
Se for, me fale! Dê um jeito, mas fale!
Por você eu hei de descolorir meus cabelos, assim, loirinhos, loirinhos.
Se for a minha pele, [...]

Jardim
November 1, 2006

Olhou à sua frente e viu que tudo que havia desmoronado outrora se reconstruía a olhos vistos.

E ela mal podia acreditar
nesses mesmos olhos que haviam chorado lágrimas,
salgadas, meladas,
geladas, malvadas,
borradas, surradas
E ali ficava a olhar
contemplar o crescer daqueles muros que haviam sido derrubados,
culpados, magoados,
estraçalhados, esmigalhados

e pensava se seria possível que daquele lugar
[que se chamava [...]

Gringo poem
November 1, 2006

Gringo Poem
A knight should fight for thee
When the time comes of him doing so
Even though my heart pounds in agony
My cries enhance when it is time to go.

My heart stretches out such as the joy of a new seed
Holding to its thought that it might be time to weep
Has changed, things are different now
For it [...]