Amadeus

Nuvens fofas me apóiam.
Sabe-se lá como parei aqui.

O chão não existe, apenas um infinito azul anil e nuvens.
Com a mão estendida, provo uma delas. Doce. Açúcar. Mel.
O adocicado sabor me faz lembrar daquele beijo.

Amadeus sempre fora o cara certo pra mim, eu é que não via.
Quando ele tomou posição e sem avisar me enlaçou em seus braços, me segurando com a palma de suas grandes mãos, senti o seu calor contra meu corpo e o quente de seus braços ao redor de meus ombros, encostou seus lábios nos meus e me fez sentir o melhor gosto que um beijo pode ter. Doce.
Seus lábios pressionados contra os meus, aquela pressão boa e quente, e uma explosão de sentimentos dentro do meu peito me deram a certeza de que era com ele que passaria o resto da minha vida.

Por que relutei tanto?

Agora, sentada no infinito espaço de um lugar desconhecido, permito-me deixar levar por uma leve brisa que encaracola em meus cabelos.

Fui muito difícil. Sete anos atrás, quando conheci Amadeus em um bar, nunca pensei que ele pudesse ser o responsável pelo redemoinho de fervor e paixão que girava dentro de mim.

Nunca dei espaço. Após sete anos de encontros e desencontros, naquele dia frio de Setembro, meu Ama, meu Deus, me conquistou com sua doçura.

E foi ao saírmos abraçados por aquela praça do centro da cidade, rumo à felicidade eterna, senti-me protegida por seu peitoral.
E foi ali que o perdi.
Vi apenas luzes girando, verde, vermelho, sirenes…
A mão do meu Deus segurou na minha e disse para que eu não tivesse medo.
Ao passar os olhos pela praça, agora na minha horizontal, vi ali um homem com arma em punho.
Senti, então, o calor…o mesmo calor que Ama provocara em mim segundos atrás que duraram uma eternidade. Mas esse tinha algo de diferente. Era viscoso e saía da mim.

Nuvens fofas…
E o meu, sempre Am’A'deus’

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