Não sei se vocês já se deram conta, mas sempre tem aquela mulher, num hospital, geralmente com seus 55 anos a dizer aquela frase:
- saúde é tudo na gente, né.
Olha pra gente com aqueles olhos tristes, sorriso estampado, mãos cruzadas em cima do colo, geralmente segurando uma bolsa de couro preto que está transpassada pelo torso, por cima de um casaco de lã azul.
Olha pra gente, olhos tristes.
Foi a pressão, sabe.
O moço mandou esperar vinte minutinhos até a pressão ‘baixar, tava 17 por 11, acredita? Geralmente é 14 por 9. Mas não é problema não, fiz aquele mapeamento todinho ‘pá ver se era problema de pressão alta, mas o doutor disse que não, que é o normal. E pensar que eu estava vendo televisão hoje de noite e senti uma coisa aqui na cabeça, passando pra lá e pra cá, como se tivesse um bicho aqui dentro. Mas ‘cê sabe que uns seis meses atrás me deu derrame do do outro lado, aconteceu igualzinho que nem hoje, um fiozinho que corria de lá pra cá, de cá pra lá na cabeça da gente que paralisou meu rosto do lado direito todinho, precisava ver.
Fui-me.
E ainda ao virar a esquina do corredor do pronto socorro ainda a ouvi dizer, longe:
-É. A saúde na gente é tudo, né… ‘cê sabe que…
É a saude é tudo mesmo.
To vendendo quer comprar?