Tu és triste, eu sei. Não precisas inventar mil estórias, de músicas e danças e água e lambança, teu rosto é triste, eu bem sei.

Teus olhos não enganam, és triste… e eu sei. Enquanto tentas sorrir com os dentes, com lábios carentes, teus olhos refletem dor e desprezo, cólera de ti mesmo. Não me enganam…são tristes e eu bem sei.

Essas tuas mãos que te traem, por elas és triste e eu sei. Levam a ti toda a vontade de ser aquilo que tanto não és, te deixam um cheiro que ao invés, te imergem em vazio, solidão e medo.

Tua teimosia muito me assusta, és escravo dela, mas pensas que não. Enquanto tu tentas, por entre as correntes, nadar contra a gente, bem contra a torrente, é triste, eu sei, mas pensas que não.

Não vês que o equívoco, esse em qual tu vives, te deixa assim, sozinho e crítico, pois em queda livre, mas pensas que voas!

E esse teu cheiro de casa vazia, me deixa triste, é, e bem sei.

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