Publicado no Jornal Vítreo FACAMP 2006.
Publish on Vítreo Newspaper FACAMP 2006
Tem dias em que a gente sente uma coisa diferente dentro da gente.Costuma ser naqueles dias nada importantes, ociosos, como uma terça, ou quarta, sem compromissos, sem convites, sem telefonemas, apenas a rotina.É um daqueles dias em que o céu pendura nuvens escuras e grandes e fofas.
Nuvens de um azul melancólico; negrume a transbordar pelos cantos arredondados, prestes a sucumbir em gotas… espessas até demais. E o Sol ali, com veemência jorrava seus raios por entre os vapores, sombrio ao fundo, clareando toda a superfície cidadã.Os telhados refletiam o amarelo do sol, enquanto ao fundo, o céu fúnebre, mas não em seu todo, tentava segurar para que as primeiras gotas de chuva não partissem. Andando na rua, sentindo os pés quentes do asfalto borbulhante, senti quando a primeira gota rompeu em deságüe e buscou a gravidade. Caiu. E caiu em cima de mim. Depois dela vieram muitas outras, com vontade, com desejo, grandes gotas de chuva gelada que rompiam o céu Terra abaixo, penetrando e perfurando os raios do sol que brilhavam cada vez mais. Pela tarde ensolarada eu via as gotas transparentes caindo, uma após a outra, após a outra, após a outra… E olhando para cima, meus olhos ardentemente buscavam ver, frente à nuvens melancólicas e raios ensolarados, onde estaria aquela certeza.
Onde estaria o arco-íris? E, ali, naquele momento, logo após as árvores, do bosque, logo após a virada, o meu semblante lhe sorriu. Não pôde ser contido.Estava grata por vê-lo, mesmo que ele estivesse esmorecendo, bem fraquinho lá em cima.E em meu coração veio aquela grandiosa certeza (tão grandiosa quanto o próprio existir do arco-íris) de que aquele que o fez nunca falha.
Ele nunca falha para desenhar o arco-íris no céu. Ele nunca falha comigo, nem com você… Apenas devemos saber procurar no lugar certo onde nossa resposta está. No arco-íris, ela estava onde deveria estar.
Contra o sol, em direção às nuvens…